Monumentos de concreto na Europa: por que estão ali?

Um edifício circular no alto de uma montanha. Uma flor de concreto num terreno aberto. Buzludzha, na Bulgária, e o memorial de Jasenovac, na Croácia, chamam a atenção pelas formas, mas sua localização ajuda a explicar o que representam.

O primeiro ocupa um cume associado a acontecimentos da história búlgara e foi utilizado como espaço de celebração política. O segundo integra uma área de memória construída no lugar de um antigo campo de concentração.

São duas situações diferentes, escolhidas porque permitem investigar a relação entre construção, terreno e acontecimento lembrado. O concreto aproxima sua aparência; a história e a implantação distinguem seus significados.

O lugar participa da mensagem

Um monumento pode ser instalado onde ocorreu um acontecimento, numa posição que lhe dê visibilidade ou num espaço organizado para receber cerimônias. Essas razões podem se combinar.

Por isso, conhecer a data e o autor da obra não resolve toda a questão. Também importa perguntar por que foi construída naquele ponto e como se relaciona com o entorno.

O relevo pode destacar uma estrutura. Um caminho pode conduzir o visitante por referências históricas. Uma superfície aparentemente vazia pode conter marcas que só se tornam compreensíveis com documentação.

Esses elementos integram a paisagem, entendida como o conjunto de formas e elementos perceptíveis de um lugar. Construções, vegetação, terreno e percursos podem registrar intervenções de épocas diferentes.

A observação permite reconhecer essas relações. Explicar sua origem exige distinguir o que está documentado das interpretações que a posição e a forma permitem desenvolver.

Buzludzha: um cume com história anterior ao monumento

A construção inaugurada em 1981 não criou do zero o significado de Buzludzha. O cume já estava associado a episódios da história búlgara.

A documentação da fundação responsável por sua conservação destaca uma batalha de rebeldes contra forças otomanas, em 1868, e uma reunião realizada em 1891 que deu origem ao Partido Operário Social-Democrata Búlgaro, predecessor do Partido Comunista.

A reunião de 1891 ocorreu num lugar que já recebia homenagens aos rebeldes. Décadas depois, o regime comunista incorporou essa associação ao projeto monumental.

A escolha do cume aproximava, assim, a história do movimento socialista de uma memória anterior da luta pela independência. Essa relação ajuda a compreender a implantação sem reduzi-la à procura de um terreno alto.

O relevo também foi transformado para receber a obra. A fundação registra o rebaixamento de parte do topo durante a preparação das fundações. A construção não apenas ocupou a montanha: alterou sua superfície.

A altura ampliava a presença de Buzludzha

Projetado por Georgi Stoilov, o monumento combina um corpo circular e uma torre. A descrição da Getty Foundation destaca como sua posição nas montanhas dos Bálcãs permite que seja visto a grande distância.

Essa visibilidade acrescenta uma dimensão à escolha histórica do lugar. O edifício se destaca no horizonte e associa sua escala à posição elevada.

É possível interpretar essa combinação como uma forma de ampliar a presença pública da mensagem política. A relação entre altura, tamanho e visibilidade sustenta essa leitura, embora não explique sozinha todos os objetivos do projeto.

No período de funcionamento, Buzludzha abrigou um museu político e cerimônias. Mosaicos no interior apresentavam acontecimentos e figuras da história búlgara vinculados à narrativa do regime.

O exterior marcava a paisagem; o interior desenvolvia uma interpretação do passado. Uma fotografia do edifício, sem essas informações, mostra sua forma, mas deixa de fora parte importante de sua função.

Jasenovac: a localização liga o memorial às vítimas

Em Jasenovac, o vínculo com o terreno tem outra origem. O Monumento da Flor, projetado por Bogdan Bogdanović e inaugurado em 1966, foi construído na área do antigo Campo III, conhecido como Ciglana, ou olaria.

Esse campo integrou o sistema de Jasenovac, mantido pelo regime fascista Ustaša durante a Segunda Guerra Mundial. Entre as vítimas estavam sérvios, judeus, Roma e pessoas perseguidas por sua oposição ao regime.

A localização do campo também tinha razões territoriais. A instituição memorial documenta sua proximidade com uma ferrovia, a presença de instalações industriais e um terreno amplo, relativamente plano, que facilitava a vigilância.

O memorial foi implantado nesse espaço para manter a referência ao lugar dos crimes. Sua posição não pode ser compreendida apenas como uma escolha estética para destacar uma escultura.

Também é necessário separar dois momentos: as condições que favoreceram a instalação do campo e as escolhas posteriores feitas para lembrar suas vítimas. O mesmo terreno passou a receber outra função.

O terreno de Jasenovac também foi desenhado para lembrar

Grande parte das construções do campo foi destruída, e materiais remanescentes foram retirados depois da guerra. A área memorial não apresenta, portanto, uma reprodução completa do antigo conjunto.

O projeto adotou outras formas de marcar sua organização. Elevações de terra indicam posições de antigos edifícios; depressões rasas assinalam sepulturas e locais de violência.

O caminho até a flor utiliza dormentes, as peças que sustentam os trilhos de uma ferrovia. Nesse percurso, eles remetem simbolicamente ao transporte de prisioneiros para o campo.

Pessoas no caminho de acesso ao Monumento da Flor de Jasenovac, entre gramados e uma superfície de água, sob céu nublado. Ilustrando artigo Monumentos de concreto na Europa: por que estão ali?
O caminho de acesso integra a organização do memorial de Jasenovac. Registro de abril de 2017. Crédito Monument Hunter, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Isso muda a leitura de elementos aparentemente simples. Uma pequena elevação não é apenas uma irregularidade do solo, e o caminho não serve somente para facilitar o acesso ao monumento.

A flor integra esse conjunto. Numa explicação de 1966 reproduzida pela instituição, Bogdanović relacionou a parte inferior às vítimas e a abertura superior à vida e à liberdade.

Essa interpretação tem autoria documentada. Não é necessário inventar um significado a partir da semelhança visual: o projeto permite relacionar forma, percurso e memória com base nas fontes.

Conservar uma construção não congela seu significado

Os dois monumentos também possuem trajetórias posteriores diferentes.

Em Buzludzha, a perda da função política foi acompanhada por deterioração e retirada de materiais. As ações recentes incluem proteção dos mosaicos e estudos sobre conservação e apresentação do edifício ao público.

A fundação registra medidas emergenciais concluídas em 2022 e trabalhos posteriores sobre a narrativa de uma futura exposição. Preservar envolve tanto cuidar dos materiais quanto decidir como explicar a história.

Em Jasenovac, o monumento faz parte de uma instituição que reúne pesquisa, documentação, exposição, educação e comemoração das vítimas. Sua função não se resume à permanência da escultura.

Assim, os dois lugares não devem ser apresentados indistintamente como ruínas esquecidas. Um passa por um processo de conservação e discussão de novos usos; o outro integra um espaço memorial com atividades próprias.

Como ler os monumentos de concreto na Europa?

A comparação mostra relações específicas, sem oferecer um modelo para todos os monumentos europeus:

AspectoBuzludzhaJasenovac
LocalizaçãoCume associado a acontecimentos da história búlgaraTerreno do antigo Campo III
Relação com o entornoAltura e escala ampliam a visibilidadeTerreno e percurso assinalam referências do campo
Função do projetoCelebração e apresentação de uma narrativa políticaMemória das vítimas
Elementos além da forma externaMosaicos e espaços de cerimôniaMarcações no solo, dormentes e documentação
Trajetória posteriorDeterioração, conservação e discussão de reutilizaçãoPesquisa, educação e comemoração no conjunto memorial

Essa atenção ao conjunto também ajuda a conhecer outros destinos históricos. A posição de uma obra, os caminhos e as intervenções posteriores podem revelar relações que desaparecem numa fotografia fechada no monumento.

Ao observar uma construção, procure distinguir três informações: por que aquele lugar foi escolhido, como o projeto modificou o terreno e que usos vieram depois.

Em Buzludzha, o horizonte ajuda a compreender a presença monumental. Em Jasenovac, o caminho e as marcas no solo ligam a obra ao espaço dos acontecimentos. O endereço faz parte do significado.

Fontes e referências

Para explorar mais

Imagem Destacada

Monumento da Flor de Jasenovac, projetado por Bogdan Bogdanović, fotografado em preto e branco em fevereiro de 2017. A vista destaca sua forma de concreto; o significado também depende do terreno e do percurso memorial. Fotografia: Andrej, via Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA 2.0.

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